A arte e a finança [Art and finance]


anatomy of an angel

Damien Hirst


“Anatomy of an Angel”


Sotheby’s art gallery




















Em 1494, o banco italiano Medici foi um marco na história da arte ao falir devido à depressão económica que se fazia sentir na época. Este era o principal banco de financiamento às produções artísticas, senão o único. Foi declarada extinção do mecenato. Os artistas deixavam de ser financiados, contudo a evolução disto até hoje tomou proporções paradoxais. Os Bancos vivem os piores momentos financeiros e entram em recessão, enquanto que obras de Arte são vendidas em leilões atingindo valores exorbitantes. Embora existem bancos que apoiem incansávelmente a cultura, como é o caso da Caixa Geral de Depósitos em Portugal, a dependência da produção artística já não é a mesma que era com o banco Medici. Os leilões são definitivamente um negócio em crescimento vertiginoso e um bom reflexo do êxito do mercado de obras de Arte a nível global. «Para além do leilão modificar radicalmente as regras de negócio das obras de arte, ele perpetua duas lógicas: a que começou nos anos 60, em que a arte começou a ser considerada um investimento, e, nas palavras de Andy Warhol, que “fazer dinheiro é arte e trabalhar é arte e bons negócios são a melhor arte”.» 1



O homem denominado por alguns como o “Pai da Arte britânica” – Damien Hirst – tornou-se no artista mais caro de sempre nos leilões. Vendeu a sua escultura “Anatomy of an Angel” no leilão da galeria londrina Sotheby’s por uns descomunais 1.226.181€, concluindo uma excelente ronda de vendas com uns espectaculares 126.717.600 milhões de euros. No final disto tudo Damien Hirst disse: “Estou completamente exausto e atónito que a minha arte seja vendida ao mesmo tempo que bancos estão a falir. Adivinho que isto possa significar que as pessoas preferem investir em borboletas do que em bancos – parece-me um mundo melhor para mim hoje.”



O que isto significa, que o artista contemporâneo derrubou em definitivo aqueles que eram os seus mecenas? A Arte estará a tornar-se no novo negócio de investimento de capital traduzido em obras de Arte? O seu valor será apenas sempre o que o próximo homem está disposto a pagar?



1
Fernando Sobral,
in Jornal de Negócios



Escrito por [Written by]: Jorge Reis


In 1494, the Medici Bank in Italy became a landmark in the history of art when it went bust during the economic recession the country was sunk into at the time. The Medici Bank was one of the few, if not the only bank that financed artistic production. After that, the patronage of art was extinct and artists were no longer sponsored. However this situation has evolved into paradoxical proportions. In the current economic recession, while art works are being sold in auctions by enormous sums, some banks are struggling to survive the rough economic times. Although banks still sponsor culture, like Caixa Geral de Depósitos in Portugal, art no longer depends from their support as it once did with the Medici Bank. Auctions of art works are rising astonishingly and reflect the success of the art market globally. “Not only does the auction change the rules radically when it comes to buying and selling works of art, but it also perpetuates two logics: one which started in the sixties, when art was seen as an investment; the other which means ‘making money is Art and working is Art and good business are the best Art’, as Andy Warhol once said.”

Labelled by some as the “father of British Art”, Damien Hirst became the most expensive artist ever in auctions. His sculpture “Anatomy of an Angel” was sold for the astonishing sum of £1,071,650 (1,151,173 Euros) in the Sotheby’s auction house. The session set a record sale of £70.5 million (75.7 million Euros). At the end of the auction Hirst said, ‘I’m completely exhausted and speechless by the fact that my work is being sold while banks are going bust. I suppose this means people prefer to spend their money on butterflies rather than on banks – I see the world as a better place today.

Does this mean that the contemporary artist is completely independent from patronage? Is art becoming a new investment translated into art works? Will its value always be what the next person is willing to pay?


Ler também [Also read]: O actual estado da Arte [State of the Art]


Ler também [Also read]: O falso mercado das coisas


Translated by: Maria José Anjos




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2 comments

  1. I recently came across your blog and have been reading along. I thought I would leave my first comment. I don’t know what to say except that I have enjoyed reading. Nice blog. I will keep visiting this blog very often.

    Ruth

    http://www.infrared-sauna-spot.info

    Ultimamente tenho visitado o blogue e vindo a ler. Pensei que deveria deixar um primeiro comentário. Não sei bem o que dizer, excepto que gostei do que tenho vindo a ler até agora. Bom blogue. Vou continuar a visitar este blogue com muita frequência.


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