Manoel de Oliveira


Manoel de Oliveira


“Descobrimos um cineasta com uma obra muito romanesca.
Ganhámos o hábito de viver com os filmes de Manoel de Oliveira”


Serge Toubiana,

director da Cinemateca francesa


Manoel Cândido Pinto de Oliveira, portenho, o mais internacional dos cineastas portugueses completa 100 anos no dia 11 de Dezembro.A propósito do centenário, o Arthoughts relembra aqui alguns dos seus mais importantes filmes. O seu primeiro trabalho foi uma curta-metragem intitulada “Douro, Faina Fluvial” e data de 1931.



“Procurava fazer do cinema um meio de expressão. Pus em prática teorias da época, a especificidade da montagem, a montagem por contraste, por analogia”.

Manoel de Oliveira



Dos mais de 50 filmes, dos quais 32 longas-metragens, destacam-se “Aniki-Bobó” (1942), ficção neo-realista que utiliza a infância para retratar comportamentos dos adultos; este filme foi um fracasso.



“Quais as intenções em Aniki-Bóbó? Certamente que as havia e bastante ambiciosas. Procurando contar uma história tão simples, queria reflectir nas crianças os problemas dos adultos, aqueles que estão ainda em estado embrionário; pôr em contraposição a noção do bem e do mal, do ódio e do amor, da amizade e da ingratidão. Queria sugerir o medo da noite e do desconhecido, a atracção pela vida que pulsa em cada coisa à nossa volta, com força e com convicção”.

Manoel de Oliveira



Esteve parado 14 anos dedicando-se à viticultura e aos negócios da família, voltando com “O Pintor e a Cidade” em 1956.



Fiz O Pintor contra O Douro. Enquanto O Douro é um filme de montagem, O Pintor é um filme de êxtases. Eu descobri no Pintor e a Cidade que o tempo é um elemento muito importante. A imagem rápida tem um efeito, mas a imagem quando persiste ganha outra forma.
O Pintor e a Cidade é uma obra fundamental na minha carreira, na mudança da minha reflexão sobre o cinema. É a primeira vez que eu volto as costas a um cinema de montagem”.

Manoel de Oliveira,

in entrevista com João Bénard da Costa, 1989



Outro dos mais importantes filmes do cineasta foi “Amor de Perdição”, datado de 1978.



“Amor de Perdição é um diálogo entre o visível e o imaginário, entre o perceptível e o imperceptível. Adaptado de um célebre romance português do Século XIX com o mesmo título, de Camilo de Castelo Branco, Amor de Perdição é um verdadeiro workshop de ideias acerca da incestuosa relação entre o romance e o cinema e acerca das várias possibilidades de adaptações literárias. Muitos dos ditos aspectos de vanguarda do filme vêm precisamente dessa reflexão, graças à qual cada cena acaba por se tornar numa solução fílmica de um desafio literário”.

Jonathan Rosembaum,

The Masterpiece You Missed,

in Soho News, 3 Junho, 1981



“Visita ou Memórias e Confissões” é um documentário autobiográfico que o cineasta só autoriza a ser visto após a sua morte e cujos negativo e cópias se encontram fechadas às sete chaves na Cinemateca Portuguesa.



“Cada qual na sua vida tem o seu papel. Este mundo é um teatro e nós somos os intérpretes. Recitamos um manuscrito de uma peça que começamos a conhecer à medida que a vivemos. Não conhecemos o futuro, porque o autor ainda não o revelou! Visita nasce de uma circunstância do acaso. Percebi que devia conservar essa recordação e passá-la ao cinema… Há também outras razões muito mais profundas. Mas do subconsciente não se pode falar!”

Manoel de Oliveira


O trabalho de Manoel de Oliveira é caracterizado pelo experimentalismo, do que resultam os geniais e intemporais filmes da sua assinatura. Esperamos a chegada do seu próximo filme, actualmente em filmagens – “Singularidades de uma Rapariga loira”, a partir de um conto de Eça de Queirós.



Nota: Situações retiradas de madragoafilmes.pt



“We discovered a film-maker with a very Romanesque kind of work. We got used to watching Manoel de Oliveira’s films.”


Serge Toubiana,

director of the Cinémathèque Française


Manoel Cândido Pinto de Oliveira, from Oporto, is the most international of Portuguese film-makers and will be 100 years old on December 11. To celebrate the occasion, Arthoughts remembers some of his most important films. His first work was a short film called “Douro, Faina Fluvial” (Labour on the Douro River), from 1931.



“I wanted to use cinema as a means of expression. I put the theories of the time into practice: the specificity of editing, like editing by contrast and analogy.”

Manoel de Oliveira



Out of more than 50 films, from which 32 are features, “Aniki Bobó” (1942) certainly stands out as a neo-realist fiction that uses childhood to portrait adult behaviour. The film was a box-office failure.



“What was my intention with ‘Aniki Bobó’? There certainly was one and it was very ambitious. By telling such a simple story, I wanted to reflect adult problems on children, which are still in an embryonic stage; I wanted to make a confrontation of the notion of good with the notion of bad, of love with hate, of friendship with selfishness. I wanted to suggest the fear of the night and of the unknown, the attraction for life that exists so strong and certain in everything around us.”

Manoel de Oliveira



He interrupted his director’s career for 14 years to focus on wine-growing and family businesses, returning to film-making with “O Pintor e a Cidade” (The Artist and the City) in 1956.



“I did ‘The Artist and the City’. Whereas ‘Labour on the Douro River’ is an edited film, ‘The Artist and the City’ is a film of ecstasy. While making it, I discovered that time is a very important element. The quick image has an effect, but an image that prevails gains a whole new shape.
The Artist and the City’ is a crucial work in my career because it changed my perspective of cinema. It was the first time I turned my back at an edited film.”

Manoel de Oliveira,

in interview with João Bénard da Costa, 1989



“Doomed Love”, in 1978, was also one of the film-maker’s most important works.



“Doomed Love” is a dialogue between reality and imagination, between the perceptible and the imperceptible. Adapted from the famous Portuguese novel from the 19th century with the same title by Camilo de Castelo Branco, ‘Doomed Love’ is an actual workshop of ideas about the incestuous relationship between romance and cinema and about the several possibilities of literary adaptation. A lot of the so-called avant-garde elements of the film were born precisely from that reflection, thanks to which each scene turns into a film solution of a literary challenge.”

Jonathan Rosembaum,

“The Masterpiece You Missed”,

in “Soho News”, 3 June 1981



“Visita ou Memórias e Confissões” (Memories and Confessions) is an autobiographic documentary that the film-maker wants to be screened only after his death. All reels and copies are kept in the national Portuguese film library.



“Each of us plays a part in life. The world is a theatre and we are the characters. We read out loud the script of a play that we get to know as we go along living it. We don’t know the future because the author hasn’t revealed it yet! This film was born randomly. I realised I could keep that memory and pass it on to cinema… There are also other reasons, deeper ones. But the subconscious is something we can’t talk about!”

Manoel de Oliveira


The experimentalism that characterised Manoel de Oliveira’s work gives origin to genius and timeless films with his signature. We will be waiting for his next film, currently being shot – “Singularidades de uma Rapariga Loira” (no official English title released yet) – adapted from a short story by Eça de Queirós.



Note: Quotations from www.madragoafilmes.pt



Escrito por [Written by]: Daniela Ambrósio


Translated by: Maria José Anjos




Comente esta filmografia [Coment this filmography]


Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s