A Temporalidade em [The timeliness in] Claudio Parmiggiani


polvere

Título [Title]: Polvere
Categoria [Category]: Installations
Materiais [Materials]: Fire, soot and smoke on wood
Dimensões [Dimensions]: h: 260 x w: 945 x d: 4 cm


Na década de 70, com a sua série “Deslocações”, Parmiggiani presta uma homenagem ao silêncio e às atmosferas impenetráveis de Orazio Morandi, astrólogo italiano, um dos primeiros mestres de Galileu Galilei, e actualmente mestre espiritual de Claudio Parmiggiani; a ausência do objecto, nesta série, é revelada pelas formas que ficaram marcadas na parede. A temporalidade vem aqui na medida em que o que é apresentado ao espectador torna-se no resultado da ausência desses mesmos objectos. É, portanto, um apelo à memória do espectador, numa atmosfera de mistério. O tempo é “aquele que reduz a acção ao traço e à essência/ausência”. Dominar o tempo significa intelectualmente capturá-lo e inclui-lo no trabalho. Desta forma o tempo é incluído no trabalho de Parmiggiani através de uma acção passada, dando lugar a um tempo onde só existem os indícios dessa acção que faz parte do passado, tornando o tempo nulo no instante em que a obra é apreendida pelo observador: “…é óbvio que o passado naturalmente faz parte de nós, como igualmente o é a natureza da presença e da memória de um antigo para um italiano. Passado presente e futuro numa obra vivida numa só dimensão onde o tempo não existe.” Esta operação é muito semelhante à de um alquimista. O objecto desaparece através de uma acção de um elemento natural como o é o fogo ou o fumo por exemplo e neste caso em específico.



A impressão que “Labirinto de vidros partidos” nos dá, relaciona-se com a nossa memória que tem origem nos indícios de violência que se fazem sentir. O pavimento está repleto de fragmentos afiados, que impossibilitam a circulação do espectador; nada resta para contemplar a não ser o que ficou de um acto destrutivo. “O que restou”, a ruína, memória, é o que é oferecido à experiência que é feita a partir dos fragmentos, como parte de uma unidade agora inacessível. O labirinto é uma construção do caos de uma forma organizada. Neste caso o labirinto de Parmiggiani foi construído segundo esta teoria certamente, contudo o que é mostrado é o pleno caos de uma unidade que foi corrompida por aquele acto.






















photo by Pierre Wachholder

and

photo by Philippe Agéa

No mosteiro Bridgettines em Bruxelas, Claudio Parmiggiani apresentou uma instalação completamente esmagadora. A instalação é constituída por um sino e por uma pirâmide de livros. Aqui o apelo ao espectador é feito em memória de um acto profano que havia acontecido neste mosteiro onde foi destruído todo o arquivo bibliotecário. 40.000 livros são apresentados em forma de pirâmide evocando um misticismo e sintetizando, simbólicamente, o sistema humano na sua utilização do livro como ferramenta para fortalecer as suas raízes do conhecimento. Na base desta pirâmide de livros estão livros que nos dão o indício de que anteriormente houve o princípio de um incêndio que foi interrompido. Este indício remonta a história do acto profano neste espaço.



With his series “Delocazione”, from the 70s, Claudio Parmiggiani paid homage to silence and the impenetrable atmospheres of Orazio Morandi, an Italian astrologist and one of the first mentors of Galileo Galilei. Morandi is Parmiggiani spiritual mentor. The absence of objects in this series is revealed by the shapes in a wall; the temporality witnessed by the visitor is a result of the absence of those objects. It then becomes an appeal to the visitor’s memories in this mysterious surrounding. Time is “what reduces action to trace and essence/absence”. Taking over time means to capture it intellectually and include it in work. This is how time is included in Parmiggiani’s work – through a previous action, replacing a time where there were only traces of that action, which belongs to the past. Time becomes null in the moment the visitor apprehends the artwork: “…it is obvious that the past is part of the human being, just like the nature of a presence or a memory of an elder is natural to an Italian. Past, present and future in a work of art is taken into a dimension where time does not exist.” This operation is similar to the one of an alchemist. The object disappears through an action of a natural element, like fire or smoke in this case

“Labirinto di vetri rotti” gives the impression of relating to the visitor’s own memories, and this feeling comes from signs of violence. The pavement is covered with sharpen fragments of glass, which make the visitor’s motion impossible; there is nothing to contemplate apart from what’s left of a destroyed action. “What’s left”, the ruins, the memory, is what’s offered to the experience drawn by the shattered glass, as if they were part of a unity, now inaccessible. The labyrinth is an organised construction of chaos. In this case, Parmiggiani’s labyrinth was built from a unity corrupted by that action.

In the Chapelle des Brigittines in Brussels, Claudio Parmiggiani presented a smashing art installation. “L’Isola del Silenzio” consists on a bell in bronze placed on the floor in front of an irregular pyramid of books. The installation triggers the visitor’s memories of the profane actions that happened in that monastery, where the entire library was destroyed. 40,000 books sit in a pyramidal shape, evoking mysticism and symbolically synthesising the human system in its book usage as a tools to strengthen the roots of knowledge. The books at the bottom of the pyramid give the visitor the indication of an interrupted fire, which is the sign of the profane history of that space.



Escrito por [Written by]: Jorge Reis


Translated by: Maria José Anjos




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