Isabel Baraona


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Bio:

Isabel Baraona frequentou o ARCO, é licenciada em Pintura pela ENSAV – La Cambre (Bruxelas) e concluiu uma pós-graduação em Pintura na FBAUL. Em 2001 iniciou o seu percurso profissional com uma exposição individual intitulada mythologies. Lecciona na ESAD.CR desde 2003; nomeadamente disciplinas de pintura e desenho do curso de Artes Plásticas. Colaborou no extinto curso dedicado a Animação Cultural.


Em 2006 iniciou a redacção de uma tese dedicada à diferenciação entre o auto-retrato e auto-representação no século XX.



Isabel Baraona


Estórias e rabiscos (2007)



No conjunto do trabalho de Isabel Baraona, o desenho como disciplina adquire uma importância tal que o podemos considerar ligado ao processo que permite a própria existência da obra. Esta é uma primeira marca da sua contemporaneidade, da sua integração num conjunto de preocupações e sentidos que marcam a arte actual. É que o desenho, se aqui exibe uma autonomia que lhe foi negada durante séculos, não deixa de guardar as características de intimidade, de efemeridade e até mesmo de domesticidade que outras técnicas se esforçaram por negar.

Olhemos pois para estes desenhos no seu aspecto mais formal: há manchas, traços a pincel feitos com uma aguada muito diluída, e depois um traço preciso e fino que se transforma em personagens, por vezes mesmo marcações de um lugar indefinido, casa ou palco. A identificação precisa é sempre evitada: não existe uma separação nítida entre o masculino e o feminino, entre o animal e o humano, entre o fabricado e o natural. (…) Há uma indecisão permanente na definição daquilo que se vê, que se sente, das emoções que o desenho suscita ou não. Personagens interagem uns com os outros; adivinhamos uma narrativa, ou o esboço de uma narrativa, que é sempre fragmentada e incompleta. Atrás falámos de cenários, talvez porque este apelo narrativo possui uma artificialidade que lhe vem do incompleto e do deslaçamento dos contornos na superfície branca do papel. Poderíamos também referir o teatro, a peça de teatro com a sua divisão tradicional em actos que indicam o decorrer da acção no tempo, e as cenas, definidas pelo número e o papel das personagens em representação no palco.

Contudo, para além destes elementos iconográficos e formais (entendidos aqui como as características estilísticas do desenho de Isabel Baraona), há nesta artista um entendimento desta prática que vai bem além da folha de papel. O desenho é sempre uma fronteira no espaço, uma fronteira que é artificial, como todas as fronteiras. Limita um dentro e um fora, um interior e um exterior. Ou seja, estabelece uma divisão nítida e dialéctica entre o que é e o que não é: homem e mulher, interior e exterior, humano e animal, forma e informe. Este processo racional e lógico afasta-se dos propósitos do desenho de Isabel Baraona: nem temática e iconicamente notamos esta separação, nem sequer em termos de suporte ela é visível.



(…)


Na indefinição, fica uma obra estranha e íntima, com uma força que só quem pode caminhar sem certezas absolutas possui. Talvez seja esta a condição permanente de quem é artista.



Excerto do Texto de apresentação “estórias & rabiscos” – autoria de

Luísa Soares de Oliveira, 2007



Site intro
www.isabelbaraona.com


Biography:

Isabel Baraona studied at Ar.Co (Centre for Art and Visual Communication, Lisbon, Portugal), graduated in Painting by ENSAV La Chambre (National College for Visual Arts, Brussels) and has a post-graduation in Painting by FBAUL (Faculty of Fine Arts of Lisbon, Portugal). In 2001 she started her professional career with a solo exhibition entitled “Mythologies”. Since 2003 she lectures at ESAD.CR (Art and Design College, Caldas da Rainha, Portugal) the modules of Painting and Drawing within the Fine Arts degree. She collaborated in the degree of Cultural Animation, no longer opened at this university.


In 2006 she started writing her thesis about the differentiation between self-portrait and self-representation in the 20th century.



Isabel Baraona


Stories and Sketches



In Isabel Baraona’s work, drawing acquires such importance that it be considered to be related to the process which allows the actual existence of the work of art. This is the first sign of its contemporary element, of its integration in the group of concerns and interpretations that mark today’s Art. Although the artist gives drawing an autonomy which has been denied to the technique for centuries, her work contains elements of intimacy, ephemeral existence and even domesticity that other methods tend to discard.

Let’s pay close attention to the drawings from their most formal perspective: there are stains, brush lines done with diluted watercolors and then precise and thin outlines which become characters, sometimes even representations of an undefined place, house or stage. An explicit identification is always avoided: there isn’t a clear separation between masculine and feminine, animal and human being, manmade and natural. (…) There’s a permanent indecision in defining what you see, what you feel, and what emotions the sketch stimulates or not. The characters interact with each other, anticipating a narrative or the sketch of one which is always fragmented and incomplete. The sceneries were mentioned above perhaps because the narrative appeal has an artificial element which comes from the fact that it is incomplete and detached from the edges of the white piece of paper. We could also mention the theatre: theatre plays with their traditional division in acts, which place not only the plot in time with the use of scenes organized by numbers, but also the character’s roles being interpreted on stage.

However, apart from the iconographic and formal elements – the stylistic aspects of Isabel Baraona’s drawings – there is an understanding of the technique that goes beyond the piece of paper. Drawing is a boundary in space, an artificial one, like all boundaries are. It confines one element inside and another one outside; one in the interior and another in the exterior. This means that it establishes a clear separation and dialectic between what “is” and what “isn’t”: man and woman, interior and exterior, human and animal, shape and shapelessness. This rational and logic process moves away from the purpose of Isabel Baraona’s drawings: the separation is not visible in the themes, icons or support.



(…)


Undefined is how we can label this odd and intimate work of art, which contains the strength of someone who moves further with no absolute certainties. Perhaps this is the permanent condition of an artist.


Luísa Soares de Oliveira, 2007


Translated by: Maria José Anjos



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