Manual de sobrevivência dos artistas! (galerias comerciais)

Como será que um artista se auto-sustenta? Muitas pessoas que não são artistas pensam acerca disto, e muitos jovens artistas também o pensam!

Como será que um artista faz dinheiro? Muitas pessoas questionam-se acerca disto, mas muitos artistas não fazem a menor ideia de como realmente fazê-lo! No senso comum, fazer dinheiro = vender as minhas obras de arte, mas existem inúmeras maneiras de o fazer!



1.
Como hás-de vender o teu trabalho?
Galerias comerciais



Geralmente as galerias comerciais vendem o trabalho dos artistas à comissão. Normalmente as galerias comerciais comissariam cerca de 40% a 50% da venda do trabalho. Isto é determinado por contracto com o artista. Uma vez haja um acordo contratual com a galeria ou numa relação verbal (não aconselhável) com a galeria. É preciso ter-se em conta que a palavra só vale o que vale quando escrita, por isso mesmo que não se vá pelo caminho contratual nunca se deve confiar na palavra amiga que sai da boca simpática do galerista. A comissão dos 40% a 50% que por norma as galerias comerciais aplicam, não bem vista pelos artistas, mas se se tiver em conta que os materiais para a realização do produto são muitas vezes financiados pelas galerias, e que também estas têm a obrigação de publicitar ao máximo o nome do artista. Por isso valerá sempre a pena a boa vontade e ceder aos 40 ou 50%, porque afinal de contas “a coisa” fica ela por ela.

Contudo existe duas questões que de certeza já devem ter passado na cabeça de qualquer um de vós. A primeira é “são as galerias comerciais essenciais para uma carreira artística?”. E a segunda “como se consegue ser representado por uma galeria?”.



Serão as galerias comerciais essenciais para uma carreira de artista plástico?

Uma grande parte dos últimos 100 anos, os artistas venderam os seus trabalhos através de galerias comerciais. O que se pode esperar, ou não, da representação numa galeria? É uma questão que deve permanecer na tua cabeça durante a leitura deste guia!

Atrás foi apresentada uma das maneiras de como um artista pode ser representado por uma galeria comercial – através de um contracto que estabelece as percentagens de comissão tanto para uma parte como para a outra. No entanto existem muitos outros tipos de contracto que pode ser realizado com a galeria:



Contracto de consignação

Um contracto de consignação é escrito quando o artista especifica um número exacto de obras para a galeria, para que esta venda durante um tempo determinado. É feita uma lista das obras que foram consignadas. O tempo que as obras ficam consignadas à galeria é determinado pelo artista, para que, caso algumas obras não sejam vendidas, as obras retornam ao artista. Uma deadline de pagamento deve ser também acordada entre as partes. Usualmente as galerias totalizam o pagamento ao artista das obras vendidas que foram vendidas num prazo de 60 dias (ou dois meses). Normalmente este tipo de contracto é formalizado quando se trata de mostrar colectivas.



Contracto de representação

Este tipo de contracto dá à galeria o direito de vender qualquer um dos trabalhos que o artista produz. A galeria comercial ou os negociantes de arte passam a ser os representantes exclusivos do artista e são elas que passam a representar-te como um dos artistas da galeria. Este tipo contracto dá o privilégio de se ter exposições a solo na galeria contratante. As exposições podem, ou não, estar discriminadas no contracto. Este tipo de moderações contratuais podem parecer limitativas para o artista, mas podem ser também uma maneira de o artista ter uma segurança a nível financeiro, caso o trabalho venda bem. Este tipo de relacionamento da galeria com o artista, é um dos mais fechados entre todos.



Outros acordos

Muitos outros acordos podem existir entre um artista e uma galeria, por exemplo, uma galeria da tua área pode querer representar-te e mostrar o teu trabalho especificamente e apenas só nessa área geográfica, contudo isso dá liberdade para que se possa procurar por uma representação numa outra galeria fora dessa área.

Muitas galerias não vão aceitar um contracto que comprometa a representação da tua carreira. Provavelmente numa primeira fase de antecipação ao contracto de representação, as galerias optam por mostrar o teu trabalho numa colectiva ou até mesmo numa exposição a solo apenas com o intuito de perceber a receptividade do público. Qualquer uma destas escolhas será sempre uma óptima oportunidade para mostrares o teu trabalho e qualquer esforço da tua parte para venderes o teu trabalho será muito bem vinda pela galeria e pode muito bem colocar-te a um passo de seres representado pela galeria, que estabelece, desde logo, uma afinidade na tua relação com a galeria.



As tuas obras vão estar no mercado da Arte

Uma das vantagens em ser representado por uma galeria de arte comercial é o facto de em retorno receberes a tua parte da comissão que ficou acordada em contracto e ainda mais importante que isso o teu trabalho será promovido. As práticas comuns das galerias são as newsletters, os press releases, distribuir ou disponibilizar no site da galeria os press releases para a comunicação social, as inaugurações são pagas pela galeria, pagam os transportes de entrega das obras quando necessários e se discriminado em contracto, responsabilizasse pela gestão da informação textual e das imagens do teu trabalho para a imprensa e outras instituições da comunicação social. Estas vantagens permitem-te focalizares-te no unicamente no teu trabalho alargando o espectro de visibilidade do teu trabalho. Contudo é sempre bom não encarregar exclusivamente a galeria da promoção do teu trabalho. Cada vez mais um artista tem que se munir de ferramentas de comunicação capazes de facilmente abranger um público interessado. Por isso aconselho duas maneiras de o fazer sem custos; a primeira é a construção de um blogue e a segunda é ter uma conta no facebook. Isto é mais que suficiente para se promover com sucesso aquilo que fazemos e à maneira que tu bem entenderes. O blogue é uma boa solução para aproveitar visitas que despertaram curiosidade no teu trabalho através da bem sucedida comunicação da galeria, e querem saber mais. Por isso no blogue não se faz a repetição do espaço que te é reservado no site da galeria. Aconselho a colocar coisas diferentes e algumas entrevistas para apresentar um grau de credibilidade satisfatório.



O prestígio de uma galeria

Alguns artistas são mais famosos que outros. Algumas galerias são mais famosas que outras. Qual deles vem primeiro; o artista famoso ou a galeria famosa? Isto é uma questão do ovo e da galinha. Seria extraordinário ser escolhido por uma galeria famosa logo no final de um curso superior, mas isto só acontece com pouca frequência. As galerias têm reputações e tu deves prestar muita atenção a isso. Uma galeria que não seja famosa mas que tenha uma boa estratégia de promoção de novos artistas, será se calhar a melhor coisa a acontecer antes de se ser representado por uma galeria famosa. Numa galeria famosa o teu trabalho terá uma espaço muito mais restrito e será “abafado” por grandes nomes. Não é que eu acha que exista melhores artistas que outros, porque isso estou eu seguro que não existe, mas o mercado vê as coisas assim! “Se é caro é porque é bom”.



As galerias vendem o teu trabalho

Os contactos que a galeria tem e que vai adquirindo à medida que a sua estratégia de comunicação é filtrada, são um bom instrumento para vender o teu trabalho. Os galeristas conhecem coleccionadores que podem ter interesse no tipo de Arte que fazes. Maioria dos coleccionadores usam os galeristas como muletas que os ajudam a definir um linha de compra para as suas colecções, mas outros não. Algumas galerias relacionam-se com outras galerias noutras cidades, tornando possível um alargamento geográfico do teu trabalho, na mesma medida que possibilita outros públicos, também eles interessados mas com menos capacidade de mobilidade, verem o teu trabalho e provavelmente comprarem-no. Mais importante que isto tudo é a galeria relacionar-se com museus que ajuda a vender o teu trabalho e acima de tudo legitimar o teu trabalho. Por isso é importante saber-se previamente que ligações tem a galeria com outras galerias e museus. Essa informação pode ser conseguida se se pedir a um dos artistas representados pela galeria. Isto será, por certo, um factor determinante para acalçares as tuas ambições.



O espaço indicado para mostrares o teu trabalho

O espaço onde um objecto de arte é mostrado, tem uma grande influência em como o público o interpreta. Se o objecto for mostrado num espaço com demasiado ruído visual, o objecto fica tímido e a intensidade perde-se condenando-o ao fracasso, e isso não é em nada o destino que se quer para o trabalho de um artista. As galerias comerciais, por norma, têm um especial cuidado na manutenção do espaço e na manutenção integra das obras que a ela ficaram ao encargo. As galerias podem trabalhar com curadores ou comissários ou o galerista ter uma certa noção correcta da curadoria de uma exposição. Pelo menos deve haver uma preocupação em perceber qual a metodologia de desenho e planificação das exposições da galeria, e nada melhor que visitar a galeria para ver regularmente as exposições dos artistas que ela representa.



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2 comments

  1. Meus Caros,
    O vosso blog diverte-me sempre, e fico curiosa por saber quais são as vossas ocupações profissionais.
    Além de banalidades ainda conseguem acrescentar disparates.
    1. As galerias não pagam os materiais aos artistas. Nem que o mundo fosse cor de rosa.
    2. Os galerias são comerciantes. Fazem o que lhes compete, mas o seu objectivo não é tirar o fardo das costas do artista e oferecer-lhe um mundo de facilidades.
    3. Existem artistas melhores do que outros. ÓBVIO que existem. Ler o contrário, é de ir às lágrimas.
    4. Em Portugal os Museus não são compradores. Para começar nem têm orçamento para aquisição de obras. O pouco mercado que existe está nas mãos de particulares, fundações, companhias de seguros, bancos… Acordem!
    5. Se um artista conseguisse sobreviver com o que aqui é apresentado como manual de sobrevivencia, Portugal seria o país das maravilhas. O mundo seria um lugar encantado, feito de inocência.

  2. Em parte concordo com a Susana. Contudo vou, desde já, esclarecer aqui uma coisa: para que serviria um blogue, se não fosse para discutir os diferentes pontos de vista sobre o mesmo assunto?

    Agradeço o comentário (não estou a ser irónico), porque sei que é com esses pontos de vista que o assunto se torna congratulador para quem o abordou. A Susana veio, por bem, por areia na máquina deste assunto.

    No entanto sinto que o seu comentário incidiu muito, talvez possa estar errado, na sua forma de ser.

    Finalizando! Este é um texto assumidamente direccionado para os artistas. Posso ter sido, ou não, num ou noutro ponto, um pouco irrealista, no entanto, não pretendo com este texto ferir susceptibilidades nem direcciona-lo de forma pessoal.

    Há, portanto, algumas coisas que a Susana deveria reconsiderar. Vou responder aos seus pontos pela mesma ordem que aparecem:

    1 – As galerias, de uma forma ou de outra, pagam os materiais dos artistas. Mas ainda bem que a Susana nos chamou a atenção para este ponto, porque, ao contrário do que referiu no seu quinto ponto, este não é um mercado cor-de-rosa (e não estou a aplicar duplo sentido nesta palavra).

    2 – Os objectivos dos galeristas ficou bem explícito no texto. Acho que nunca, em momento algum, o texto mostra o contrário. Os galeristas não têm que «tirar o fardo das costas do artista e oferecer-lhe um mundo de facilidades.».

    3 – Neste ponto não faço comentários, porque não pretendo entrar em discussão de uma coisa que é óbvia de mais para se discutir.

    4 – «Mais importante que isto tudo é a galeria relacionar-se com museus que ajuda a vender o teu trabalho e acima de tudo legitimar o teu trabalho.» (Jorge Reis).

    Penso que a Susana fez uma sobre-interpretação desta frase.

    5 – Sim admito alguma inocência no texto que escrevi, mas não dramatizemos. É claro que se tudo isto fosse considerado por um galerista comercial, o circuito comercial da arte nas galerias comerciais, seria mais sério, não querendo aqui desvalorizar o trabalho que alguns galeristas fazem no nosso país.


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