Julião Sarmento wins grandprize Universidade de Coimbra


Julião Sarmento. Literal. Centro José Guerrero (Granada)
Julião Sarmento. Literal. Centro José Guerrero (Granada)

Galardão que premeia personalidades da cultura e das artes distinguiu artista plástico lisboeta


O artista plástico Julião Sarmento é o galardoado com o Prémio Universidade de Coimbra (UC) deste ano, pelo seu percurso na intervenção ao nível das artes visuais e pela sua projecção internacional.

“É um nome que valoriza o prémio”, destacou o reitor da UC, Seabra Santos, frisando que “pesou o facto de ser uma personalidade altamente internacionalizada”. “Não é só na universidade que se faz formação. Há necessidade de relativizar o papel da universidade e de a abrir ao mundo e à sociedade”, sublinhou o reitor.

José António Bandeirinha, pró-reitor da Cultura da Universidade de Coimbra, considerou que ao distinguir Julião Sarmento se está “a premiar uma obra fantástica e as próprias artes plásticas”.

“A sua obra é de grande incidência radial sobre a visualidade e a matéria da visualidade”, referiu, acrescentando que na sua carreira já longa “há uma coerência artística forte”.

Seabra Santos recordou ainda o facto de ser um artista que não se limita à pintura, sendo também reconhecido pelas suas instalações e intervenções em vídeo, escultura e fotografia.

Julião Sarmento nasceu em Lisboa em 1948, e estudou pintura e arquitectura na Escola Superior de Belas ares em Lisboa. Ao longo da sua carreira foi docente no centro de arte contemporânea de Kitakyushu (Japão), na Academia de Belas Artes de Munique (Alemanha), na Fundação Marcelino Botin, de Santander (Espanha), e na Faculdade de Belas Artes da Universidade Complutense de Madrid (Espanha). Julião Sarmento representou Portugal na Bienal de Veneza em 1997.

As suas obras encontram-se em colecções nacionais como na Fundação Calouste Gulbenkian, Caixa Geral de Depósitos e Fundação de Serralves, mas também em colecções internacionais, tais como a Fundació La Caixa (Barcelona), Hirshorn Museum and Sculture Garden (Washington), Moderna Meseet (Estocolmo), MoMA (Nova Iorque), Centre Georges Ponpidou (Paris), Salomon Gugenheim Museum (Nova Iorque), Staatlische Galerie am Lembachaus (Munique) e Stedelik Van Abbemuseum (Eindhoven).

O Prémio Universidade de Coimbra foi instituído para distinguir personalidades portuguesas nas áreas das ciências e cultura, e está dotado de 25 mil euros.

Já na sexta edição, este galardão distinguiu o neurocientista Fernando Lopes da Silva (2004), o actor Luís Miguel Cintra e o historiador António Hespanha (ex-aequo em 2005), a especialista em estudos clássicos Maria Helena da Rocha Pereira (2006), o matemático Marcelo Viana (2007) e o empresário José Epifânio da Franca (2008).

A distinção será atribuída em sessão pública na segunda quinzena de Março, pela primeira vez em sessão autónoma do Dia da Universidade, a 01 de Março, por impossibilidade do artista.


Lisbon born artist distinguished with the Culture and Arts Personality of the Year award.

The contemporary artist Julião Sarmento was awarded 2009’s University of Coimbra Award for his work in visual arts and its international projection.

“It is the name that distinguishes the award”, said Seabra Santos, the university’s chancellor. He also added that “Julião Sarmento’s international acclamation weighted on the decision. Learning is not only acquired within the university. It is necessary to diminish its position and to open its doors to the world and society.”

José António Bandeirinha, vice-chancellor for Culture of the University of Coimbra, mentioned that by giving the prize to Sarmento “an amazing work in contemporary art was being distinguished.

“His work has an enormous influence in visuals”, said Bandeirinha, who also added that in Sarmento’s long career there is “a strong artistic coherence.”

Seabra Santos also pointed out that Sarmento is an artist who does not limit his art to painting: he is also acclaimed by his video installation and intervention work, sculpture and photography.
Julião Sarmento was born in Lisbon in 1948 and studied Painting and Architecture in the Faculty of Fine Arts of Lisbon (Portugal). He was a lecturer in the Centre for Contemporary Art in Kitakyushu (Japan), in the Academy of Fine Arts, Munich (Germany), in the Marcelino Botín Foundation in Santander (Spain), and in the Faculty of Fine Arts, Complutense University of Madrid (Spain). He also represented Portugal in the Venice Art Biennial in 1997.

His work can be seen among Portugal’s public collections of the Calouste Gulbenkian Foundation, Caixa Geral de Depósitos Culturgest Foundation and the Serralves Foundation, but also in international collections of the “la Caixa” Foundation (Barcelona), the Hirshhorn Museum and Sculpture Garden (Washington), the Moderna Museet Malmö (Stockholm), the MoMA and the Solomon R. Guggenheim Museum (both in New York), the Centre Pompidou (Paris), the Städtische Galerie im Lenbachhaus and Kunstbau (Munich) and in the Van Abbemuseum (Eindoven).

The University of Coimbra Award was created to distinguish Portuguese personalities with outstanding achievements in the field of Science and Culture. It is worth 25,000 Euros (£22,050).

In its sixth edition, the prize was awarded to the neuroscientist Fernando Lopes da Silva (2004), to actor Luís Miguel Cintra and historian António Manuel Hespanha (shared, in 2005), to Maria Helena da Rocha Pereira, an expert in Classical Studies (2006), to the Mathematician Marcelo Viana (2007) and the entrepreneur José Epifânio da Franca (2008).

The award ceremony will take place in a public session in the third week of March. Due to the artist’s personal agenda, for the first time since its creation the ceremony will not coincide with the celebrations of the university’s day, March 1st.



Retirado de [Quotes from]: Jornal Público


Translated by: Maria José Anjos




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Claudio Parmiggiani – BIO


Claudio Parmiggiani


Claudio Parmiggiani nasceu em Luzzara, em 1943. Formou-se no Instituto de Belas Artes de Modena (1958 -1960), e finalizou a sua formação em Bolonha, onde estabelece um relacionamento de amizade com George, mestre de Gian Luigi Morandi, musico italiano nascido a 1944 que representou Itália na Eurovisão no ano de 1970. Daqui Parmiggianni arranjaria algumas influências, como mais tarde viria a influenciar-se, mais no sentido ético que estilístico, a partir do poeta italiano Emilio Villa, particularmente na concepção do relacionamento da arte com a vida.

Na segunda metade dos anos 60 Parmiggiani vivia em 63 um clima de intensa colaboração entre artistas e poetas. Neste período, marcado também pelo encontro com Emilio Villa, poeta italiano (1914 – 2003), Claudio Parmiggiani trabalha até à década de setenta e realiza trabalhos como a “Tabela temporal” – 1968 – , “Atlas” (1970), estando os trabalhos do período 1967 – 70 carregados de uma poetização do espaço. Realizou também trabalhos que são envolvidos por luz e espaço, como por exemplo a “luz, luz, luz” (1968 ) e “Labirinto” de vidros partidos (1970).

Durante os anos 70, os seus trabalhos têm origem no espaço onde são apresentados, na procura de uma nova dimensão metafísica entre a relação Obra – Espaço. Em 1975 Parmiggiani inicia planos para a obra “Uma escultura”, cujas quatro partes foram colocadas em quatro pontos geográficos da Terra (Itália, Egypto, França e Checoslováquia). Este trabalho foi finalizado em 1991.

Entre os seus trabalhos permanentes no que ele chama de museu Terra (natureza) estão: “A floresta vê-te e ouve-te” no parque de Pourtalés, Estrasburgo (1990), a “Baliza de Islândia”, uma luz colocada permanentemente no deserto islandês e “Melancolia II” em (2002).

São numerosas as exibições que foram feitas em Itália e no resto do mundo: Tóquio, Veneza, Nova Iorque, Paris – em todas elas uma atenciosa dedicação da relação entre arte e poesia (poesia concreta), e ainda mais em, Paris, Tóquio, Innsbruck, Marselha, Viena, Roma, Berlim, Nova Iorque, Milão, Barcelona, Maastricht, Boston, Frankfurt, Zurique, e Bruxelas.

Entre estas exibições há também as realizações cenográficas para o Teatro Municipal de Reggio Emilia, “Pinturas nos arcos” (1992), “Comédia” (1998), e no teatro romano de Verona, “Cabiria” (1994); Incluindo também publicações de vários livros: “Atlas temporal e mesas” (1968), “Deslocação, Abstracção, Branco” (1970), “Alfabeto” (1975), “Eraclito pintado” (1976), “Poesias” (1981), “A cor do sangue” (1988), “Papeis brancos, a reforma da geometria” (1990), “Estrela, Sangue, Espirito” (1995), “Pó” (1998); e ilustrações dos livros de Emilio Villa, Nanni Balestrini e Corrado Costa, Mario Diacono, Charles Baudelaire e William Butler Yeats.

O seu trabalho não estaria completo se não houvesse uma referência aos vídeos: “Deslocação” (1974), “A torre e a Terra” (1989), “A escultura” (1992), “A Floresta vê-te e ouve-te” (1992), “Sem Titulo” (1995).


Claudio Parmiggiani was born in Luzzara, in 1943. He trained at the Istituto Statale di Belle Arti of Modena, (1958-1960) and finished his studies in Bologna. There he met Giorgio Morandi, an Italian musician born in 1944 who represented Italy in the Eurovision contest in the year of 1970. Morandi became Parmiggiani mentor and influenced him in a more stylistic rather than ethical sense, particularly about his own way of conceiving art in its relationship with life.

In the 60s, Parmiggiani lived an intense collaboration with artists and poets. It was during this period that Parmiggiani met the Italian poet Emilio Villa (1914-2003) and produced “Tavole temporali” (1968) and “Atlante” (1970). From 1967 until 1970 his artworks are characterised by space poetry. In his pieces “Luce, luce, luce” (1968) and “Labirinto di vetri rotti” (1970), light and space are put together.
During the 70s, his works were related to the space they were presented at, in search for a new metaphysical dimension between artwork and space. In 1975, Parmiggiani started “Una scultura”, an artworks divided in four parts, each placed in a different part of the globe (Italy, Egypt, France and Czech Republic). This work was finished in 1991.

Between his permanent works in what he calls the “earth museum” (nature) are “Il bosco guarda e ascolta” (1990) in the Parc de Pourtalès, Strasbourg, “Il faro d’Islanda” (2000), a light placed in a tower in a deserted land in Iceland, and “Melancolia II” (2002).
Many exhibitions have taken place in Italy and throughout the rest of the world: Tokyo, Venice, New York, Paris, Innsbruck, Marseilles, Vienna, Rome, Berlin, Barcelona, Maastricht, Boston, Frankfurt, Zurich and Brussels. In all of them, there is a noticeable dedication to the relationship between art and poetry (concrete poetry).

In-between exhibitions, Parmiggiani also worked as a costume and set designer in “Pitture per archi” (1992) and “Comoedia” (1998) for the Municipal Theatre Valli of Reggio Emilia and “Cabiria” (1994) for the Roman Theatre of Verona. He also published several books: “Atlante e Tavole temporali” (1968), “Delocazione, Astrazione, Blanc” (1970), “Alfabeto” (1975), “Eraclito” (1976), “Poesie dipinte” (1981), “Il Sangue del Colore” (1988), “Carte nere, Geometria reformata” (1990), “Stella Sangue Spirito” (1995), “Polvere” (1998); and did book illustrations for works by Emilio Villa, Nanni Balestrini and Corrado Costa, Mario Diacono, Charles Baudelaire and William Butler Yeats.
His work wouldn’t be completed without a few video projects: “Delocazione” (1974), “La torre e Terra” (1989), “Una scultura” (1992), “Il bosco guarda e ascolta” (1992) and “Untitled” (1995).


O Espaço [Space] – Claudio Parmiggiani


A Temporalidade em [The timeliness in] Claudio Parmiggiani



Escrito por [Written by]: Jorge Reis


Translated by: Maria José Anjos




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