O actual estado da Arte [State of the Art]


Primeiramente, para melhor explicar este estado que se encontra a Arte, faço um ponto de situação histórico, passando apenas nas principais causas que desmontam aquilo que hoje se está a passar em termos artísticos de um estado global.

Começo, então, por um dos mais marcantes “ismos” da história da arte, ou seja, o impressionismo. Nesta época houve, numa análise introspectiva que fiz, duas grandes causas que originaram este grande passo na Arte. Uma delas foi uma nova forma de ver o mundo, onde se começaram adquirir imagens mais rápidas e menos definidas por causa das viagens de comboio, por exemplo, a outra foi a evolução tecnológica, no que diz respeito à invenção da máquina fotográfica, que sugeriu novos enquadramentos e que veio por em causa uma coisa que se tratava na pintura e que acredito que muitos pintores da altura se tenham questionado; para que é que eu vou continuar na pintura se a aproximação da semelhança do real que tento infértilmente há anos, está à distância de um simples pressionar de um botão? Daí eu achar o passo que se deu nesta época, muito importante na história da Arte. A pintura era feita de uma outra maneira, e graças a pintores como, Edouard Manet, Claude Monet, Georges Seurat, Edgar Degas, entre outros, a pintura saiu dos cânones praticados fatídicamente e repetitivamente há anos. Deixou-se, portanto, de se fazer pura e simplesmente a representação do real, para passarem a uma impressão do real, ou seja davam uma impressão da forma e não a forma toda. Daí os impressionistas, designação que primeiro surgiu como um insulto da crítica da altura, acabou por ser mesmo a designação utilizada para baptizar este movimento.

Saltando agora um pouco, Picasso, tem um papel importante na afirmação do artista plástico como indivíduo criativo. Pablo Picasso veio “dizer”, não por palavras mas sim por acções, que o artista não necessitava de provar que sabia fazer de facto aquilo que era chamado de “um bom desenho”, por exemplo, para fazer um desenho. A prova disto mesmo está nas crianças. As crianças não precisam que lhes seja ensinado a fazer desenho, nem precisam que lhes digam com que materiais devem elas desenhar. É intrínseco à condição de vida de um ser humano saber desenhar. Daí Picasso ter tido a vontade de uma vez mais soltar a Arte de condições limitativas, porque afinal de contas a Arte é livre.

Uma prova histórica disto mesmo, é o que Jackson Pollock fez. Não só conseguiu que a arte dos Estados Unidos da América se internacionalizasse, como também libertou a Arte da mítica frase de Alberti que acreditava que a Arte era uma Janela aberta para o mundo. Pollock enfatizou a característica mais pura de uma pintura, e virou-a para ela mesma. Tudo isto, segundo registos, foi originado por um acidente enquanto o artista experimentava mais uma pintura expressionista. Foi então que surgiu uma nova ramificação de um entre muitos “ismos” que faziam parte da época modernista; é então que surge o expressionismo abstracto. Este passo que foi dado foi também ele num sentido de libertação. É assim que vejo, de forma muito resumida, o progresso da Arte até aos dias de hoje. Para mim, estas são as principais causas que nos levaram à Arte dos dias de hoje.

A metodologia contemporânea é de facto um reflexo da história. A experimentação é a “ferramenta de trabalho” que é mais usada actualmente, mas também é a mais árdua. É como trabalhar às escuras. Nunca se sabe objectivamente no que é que aquele trabalho vai resultar, seja ele um trabalho de pintura, musica, teatro, cinema, ou literatura, entre outros. É como limar as arestas de uma imaginária muralha da china de chumbo. É ter a capacidade de intuição e de exclusão de aspectos que estejam a perturbar a leitura daquele trabalho. Afinal de contas é a metodologia que melhor resolve as intensidades que são desejadas ser mostradas num espaço pelo artista. Contudo o artista contemporâneo, sente que não existe um fio condutor e que por causa disso mesmo ele próprio dita as suas regras e as suas próprias técnicas. Daí a Arte de hoje em dia ser cada vez mais híbrida, e menos definível. Não se sabe ao certo se aquele objecto pode ser classificado como pintura ou como escultura.

Actualmente acredito que a Arte contemporânea vive um estado de “vaca louca”. Acho muito sinceramente que hoje sinto que um artista pode fazer a coisa mais descabida, para que haja uma espécie de vírus contagiante que atribue hipotéticamente àquele objecto uma classificação de obra de arte. Um artista, se se achar no direito de moralidade corrompida, pode cortar um membro e mostrá-lo num local destinado à exibição de Arte, para que aquilo seja considerado Arte. É assim que eu vejo o actual estado da Arte; o estado de vaca louca.



To better explain the condition of Art in our days, I’ll first of all establish an historic analysis referring to the main causes that depict what is happening today in artistic terms, on a global basis.


I will then start with one of the most significant “isms” of the history of Art: Impressionism. After an introspective analysis I could identify, in that period, two major causes that gave birth to it. One of them corresponds to a new way of seeing the world; faster and less defined images appeared due to train travelling, for instance. The other main cause was the technological evolution that resulted in the invention of the photo camera. This enabled the appearance of new frames and contributed to the self questioning of many painters at the time; why should they continue painting when all they had to do to obtain an approximated reproduction of the “real” was to press a simple button?


Hence my belief that the step taken in this period was extremely important for the development of the history of Art. Painting was approached in a different form, and thanks to the likes of Edouard Manet, Claude Monet, Georges Seurat and Edgar Degas, amongst others, it escaped the precepts that had been obsessively and repeatedly followed over the years. The straightforward representation of the “real” wasn’t any longer the target, being replaced by the impression of the “real”. This means that only an impression of the form was given, instead of its entirety. The same term that critics used as a demeanour, at the time, ended up as being the same one that baptized this movement – Impressionism.


Going a bit further in time, Picasso had an important role in the affirmation of the plastic artist as a creative individual. Pablo Picasso stated – in actions and not in words – that in order to deliver what at the time was defined as a “good drawing”, the Artist didn’t have to prove he was able to execute a drawing. Children are the exact proof of this as they don’t need to be taught to draw, or which materials to use when doing so. Drawing is inherent to the human being. Therefore, Picasso had the will to release Art from limiting conditions. After all, Art is free.


An historic proof of the above is what Jackson Pollock achieved. Not only did he internationalize United States´ art, but he also liberated the mythic Alberti’s belief that painting was an open window to the world. Pollock emphasized the purest characteristic of a picture, and turned it to itself. All of this, according to the records, happened by accident when the artist was drawing an expressionist painting. It was then that a new ramification of one amongst many “isms” appeared, being part of a modernist period; that’s how abstract expressionism is born. This step was taken in a sense of liberation. This is how I see, in a summarized way, the progress of Art till our days.


In my opinion, these are the main causes that lead Art to what it is today. Contemporary methodology is in fact a reflection of History. Experimentation is the “tool” that is more frequently used, nowadays, but it’s also the hardest. It’s like working in the dark. We never known in advance, objectively, what will be the final outcome of the work, whether it is in painting, music, theatre, cinema, literature, amongst others. It’s like filing the edges of an imaginary wall of China made of lead.


It’s like having the capacity of intuition and exclusion of aspects that disturb the interpretation of that same work. After all, methodology is the element responsible for the artist’s decision regarding which intensity should be applied in a certain space.


However the contemporary artist feels that there isn’t a stream, a logic, which is why he now dictates his own rules and techniques; for this reason Art has become more hybrid, and less definable. A definition of the object as a painting or as a sculpture is no longer clear and immediate.


I feel that in our days contemporary art lives in a state of mad cow. As senseless as an artist’s work may be, there are still contagious viruses that may attribute to it the classification of work of art. An artist may even cut one of his limbs out – if he finds himself to be in a state of corrupted morality – and exhibit it in an arts centre, so that this gesture may be considered as Art.


That’s how I see Art today: the state of mad cow.



Escrito por [Written by]: Jorge Reis


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Translated by: Francisco Malheiro


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One comment

  1. A definição de “estado de “vaca louca”” encaixa-se como uma luva: actualmente a arte vive, não como uma fase anárquica, mas pelo menos, com um temperamento anárquico. Mas como lhe é inato, é a incerteza do que vai acontecer com determinado material que mantém a Arte contemporânea viva.
    Mas há uma coisa que me põe a pensar; a frase «Contudo o artista contemporâneo, sente que não existe um fio condutor e que por causa disso mesmo ele próprio dita as suas regras e as suas próprias técnicas.». Esta frase faz-me interrogar se, no meio de toda a sua experimentação, o artista dita realmente as suas regras ou se será o material que assume essa função?
    Vejamos o seguinte quadro: o artista escolhe o material e utiliza-o. Mas o material, quer seja algo de físico, palpável, sensível e/ou visível, tem reacções próprias de acordo com a sua natureza. Reacções que o artista nem sempre prevê. Então, o artista interroga-se e continua a testá-lo. E o material dá-lhe a mostrar aquilo que faz, como reage… em suma, responde-lhe.
    Por isso volto a interrogar-me:
    -O artista dita as suas regras?
    -Ou haverá como que um diálogo entre artista e material (seja esse material, tinta, um motivo fotografado, ou as ideias do artista)?
    -Ou esse diálogo, (se realmente existir) é uma das possíveis consequências decorrentes do “estado de “vaca louca””?


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